Como anda a questão ambiental em Foz do Iguaçu?
Confira a reportagem sobre a situação dos rios de Foz do Iguaçu
Não dá para falar de Foz do Iguaçu sem lembrar das Cataratas e imaginar aquela extensa área verde do Parque Nacional do Iguaçu que cercam as quedas d’água. Olhando isso e alguns trechos da região central, onde as árvores dividem espaço com o asfalto, é difícil imaginar que a cidade esconde em seus rios e córregos um descaso com a natureza e poluição causada pela ação humana. Infelizmente, esse descaso com a questão ambiental é cada vez mais comum.
Por diversas vezes abordamos a questão ambiental na 100fronteiras. Já escrevemos reportagens sobre a poluição do rio Iguaçu, que desanda nas Cataratas, já falamos sobre cachoeiras escondidas no centro da cidade, assim como sobre o Parque Monjolo e agora, mais recentemente, sobre o rio Jupira, na Trilha do Vietnã. Em todos esses casos a beleza do lugar perdia espaço para a poluição e o descaso.
Também, por todas as vezes, tentamos, juntos a prefeitura e órgãos responsáveis (como a Sanepar que admitiu haver vazamento de esgoto em rios do centro da cidade), uma resposta ou solução para esses problemas, mas nunca de fato vimos uma ação para melhorar a situação desses locais e evitar novas fontes de poluição.
Moradia
Dantas esclarece que é inaceitável que a poucos metros de passar atrás de um famoso resort da cidade, o rio Boicy tenha sua cabeceira principal densamente ocupada, águas canalizadas e soterradas logo após as nascentes para que casas e barracos fossem construídos, num processo que se repete e que se consolida diante do problema da moradia. “Na Vila Brás, região do Jardim Canadá e Lancaster é possível encontrar palafitas, canalização, aterros e muito lixo espalhado por uma grande área de nascentes que, por força do Código Florestal, deveria estar preservada em um raio de 50 metros a partir de cada olho d’água. Nesse cenário caótico podemos encontrar lambaris e, ainda, algumas nascentes limpas, momentos antes de suas águas receberem o esgoto dessa região”, denuncia.Saneamento básico
Falando em esgoto, o rio Jupira, na região da Vila A também foi afetado por esse problema, conforme noticiamos recentemente. Dantas nos acompanhou nessa visita e reforça o quão absurda é a situação. “As águas da Trilha do Vietnã não são mais as mesmas e isso há muito tempo, o que é um verdadeiro absurdo para uma área de densa floresta que por ser bem preservada, ainda carece de melhores cuidados. Na ocasião desse derramamento, verificou-se que uma rede de esgoto estourou devido a uma obstrução e o esgoto excedente foi conduzido ao rio através de uma manilha da galeria pluvial. Já não bastasse o lixo que ‘normalmente’ desce para os rios da cidade por essas galerias, juntou-se o esgoto que, por pouco, não dizimou a vida de milhares de lambaris e outros animais que ali habitam”. Dantas também citou o exemplo do rio Monjolo, que nasce no Jardim Central próximo à Mesquita e, logo após, cruza a mata do 34º BIMec. “Esse rio é forçado a fluir por uma galeria construída na década de 70. Muito se falava de uma ponte de madeira e um córrego no fundo da Avenida Brasil. Era o próprio rio Monjolo antes da canalização que hoje, ao sair da galeria após a terceira pista da Avenida JK, deságua no rio Paraná altamente poluído e fétido, caindo em uma das mais belas cachoeiras do nosso município, em pleno centro da cidade. Constatado isso, só nos resta uma hipótese: o rio Monjolo recebe esgoto do centro de Foz do Iguaçu. Esgoto de prédios residenciais, comerciais, hotéis. No entanto, é preciso descobrir o foco”, alerta.Poder público
Já sobre a administração municipal, Dantas reforça que, apesar da situação crítica em que os rios se encontram, o poder público não apresenta nenhuma ação efetiva para solucionar esses crimes ambientais. Por um momento chegou a se falar sobre um programa, o “Reinventando Foz”, que surgiu como uma luz no fim do túnel para a questão ambiental da cidade. Esse programa tinha o objetivo de promover o desenvolvimento urbano sustentável de Foz por meio de quatro pilares:- 1- Restauração da biodiversidade dos afluentes, incluindo soluções de drenagem e despoluição;
- 2 – Incentivo a mobilidade sustentável, desenvolvimento urbano e turístico;
- 3 – Requalificação do centro da cidade;
- 4 – Potencialização do crescimento econômico por meio do turismo e geração de empregos.
Executando ideias
O arquiteto e urbanista e professor universitário Alexandre Balthazar tem amplo conhecimento na área ambiental e explica, que através da Uniamérica, teve a oportunidade de trabalhar em conjunto com os alunos e professores de oito cursos de graduação, além da UNILA, prefeitura e outras entidades e ONG’s uma proposta para a criação do Parque Linear do M’Boicy, o maior rio urbano de Foz. Segundo ele, a bacia do M ‘Boicy cobre mais da metade da área urbana de Foz do Iguaçu e seria um grande passo no sentido de se reapropriar do meio ambiente urbano da cidade. “Há recantos lindíssimos deste rio bem no meio da cidade e poucas pessoas sabem disso. Por muito pouco este projeto não saiu do papel, houve licitação, mas não tivemos interessados. Com a pandemia tudo parou e estes projetos não entraram mais na pauta, com o foco na questão da saúde. É hora de rever as propostas, rever valores e reeditar a licitação. Por que não retomar o fechamento de uma das pistas da av. Paraná aos domingos para atividades de lazer? A participação da população é fundamental para estas iniciativas não caírem no esquecimento”, reforça Alexandre. Além disso, ele ressalta que a questão ambiental é fundamental para a qualidade de vida de uma sociedade, considerando que saúde não é apenas ausência de doenças, mas sim resultado de uma vida equilibrada, sem estresse e, principalmente, em harmonia com a natureza. “Foz é uma das cidades mais arborizadas do Paraná, temos ruas inteiras na sombra evitando o fenômeno de ilhas de calor em certos bairros da cidade, isso é resultado de gestores das décadas de 70 e 80. A natureza é o DNA de Foz do Iguaçu, a meu ver falta pouco para virarmos a mesa’, finaliza.Mais de Revista 100fronteiras
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