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Obra de arte mais antiga da humanidade é descoberta na Indonésia

Obra de arte mais antiga da humanidade é descoberta na Indonésia

VEJA | 3 julho 2024, 17h10


Em uma caverna na ilha de Sulawesi do Sul, na Indonésia, encontra-se, possivelmente, a mais antiga obra de arte figurativa conhecida. Pintada há pelo menos 51.200 anos, a composição narrativa retrata figuras humanas interagindo com um porco, sendo o exemplo mais antigo de arte representacional no mundo. Originalmente datada usando técnicas de análise de depósitos minerais, a pintura presumia uma idade mínima de 43.900 anos. No entanto, com o uso de tecnologias mais avançadas, a equipe de pesquisadores da Universidade Griffith, na Austrália, que estuda as imagens desde 2017, recuou a datação em pelo menos 4 mil anos. Além disso, a equipe revisou a data original de uma pintura rupestre em Leang Bulu’ Sipong, inicialmente estimada em 44.000 anos, demonstrando que esta obra é cerca de 4.000 anos mais antiga.

“Nossos resultados são surpreendentes e mostram que nenhuma das artes da Era Glacial europeia é tão antiga quanto esta, com exceção de algumas descobertas controversas na Espanha”, afirmou em nota Adhi Agus Oktaviana, arqueólogo que liderou a pesquisa, se referindo a pintura rupestre mais antiga da Europa, uma espécie de escada pintada na caverna de La Pasiega (Cantábria) por neandertais há 65.000 anos, mas que tem a datação questionada. Esta é a primeira vez que datas de arte rupestre na Indonésia foram empurradas além da marca de 50.000 anos.

Algumas das figuras humanas de Sulawesi parecem ter focinho e bico. A equipe de pesquisadores argumenta que se trata dos teriantropos — figuras que combinam traços animais e humanos, como os deuses egípcios posteriores — mais antigos conhecidos. Para os autores, o fato de a arte retratar cenas reconhecíveis, ou seja, humanos e animais interagindo, demonstra que o artista tinha o objetivo de contar uma história. Isso quebra paradigmas, pois as concepções acadêmicas anteriores interpretavam a arte rupestre figurativa inicial como painéis de figura única sem narrativas intencionais evidentes, com representações pictóricas de histórias aparecendo muito mais tarde na arte europeia.

As descobertas sugerem, portanto, que a narrativa foi uma parte crucial da cultura artística humana inicial na Indonésia desde tempos mais remotos. “Os humanos provavelmente contam histórias há muito mais de 51.200 anos, mas como as palavras não fossilizam, só podemos seguir por proxies indiretos, como representações de cenas na arte”, explicou Oktaviana.

 

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