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Pista de atletismo do Ibira é destruída por empresa de automobilismo

Complexo será palco de corrida de carros e passa por reformas; Confederação de Atletismo relata “perplexidade” e “indignação”

VEJA SP | Por Ana Mércia Brandão | 14 fevereiro 2024, 18h03 - Publicado em 14 fevereiro 2024, 16h31


A pista de atletismo do Estádio Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera, localizada nas proximidades do parque, está sendo destruída para acomodar a realização de uma competição automobilística em março deste ano. A ação gerou repúdio da comunidade do atletismo, mas a empresa responsável pela ação afirma que a obra contribuirá para a reforma e a retomada da pista.

Inaugurada em 1974, a pista do Ibirapuera, considerada um centro de excelência do atletismo brasileiro, foi palco de competições e local de treinamento de diversos atletas, como a campeã olímpica Maurren Maggi, mas estava sem funcionar desde a pandemia de Covid-19, em 2020.

Nos dias 9 e 10 de março, o Estádio do Ibirapuera será palco da primeira etapa da Ultimate Drift, campeonato de automobilismo em que os pilotos devem conduzir os automóveis de modo a deslizar com a parte traseira nas curvas. A empresa está responsável pela reforma da pista e publicou um vídeo em suas redes sociais com imagens da destruição, que mostram a retirada das borrachas que compõem o espaço.

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A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) falou sobre o caso, em nota, nesta terça-feira (13), e disse ter recebido a notícia da reforma com “perplexidade” e “indignação” e que “lamenta profundamente a utilização da pista” para a realização do campeonato de drift.

“Há o temor  pelo comprometimento da estrutura da pista, além da deterioração da borracha”, disse a CBAt. A Confederação reforçou sua defesa pela restauração da pista e modernização do Ibirapuera.

Segundo a CBAt, o seu presidente, Wlamir Motta Campos, “entrou em contato com a Secretaria de Estado de Esportes de São Paulo e foi informado que arrancar a borracha vai facilitar uma futura reforma e a decisão está baseada numa consulta feita a um engenheiro de que o uso da estrutura por carros é possível”.

A Ultimate Drift recebeu críticas de internautas e atletas nos comentários de seu vídeo. Em resposta a um deles, que chamou o ato de “absurdo”, a empresa afirmou que “o piso [da pista] estava destruído e há anos impossibilitava a realização de atletismo” e que “está custeando toda retirada do piso danificado e regularização do piso de baixo”.

A organizadora de eventos automobilísticos acredita que a ação “de imediato já possibilitará a volta da prática de atletismo recreativo e adianta parte do processo de restauração”. “O  esporte Drift não está atrapalhando e sim melhorando o local”, completou no comentário.

Já Motta Campos, em nota da CBAt, afirma que “quando mudamos a função da pista isso acaba por distanciar o propósito” e cita como exemplo a pista do Estádio Célio de Barros, no Rio de Janeiro (RJ), “que foi usada como apoio ao Estádio do Maracanã com a promessa de ser reformada em seguida, o que jamais ocorreu”.

O campeão olímpico Joaquim Cruz também manifestou seu repúdio pela destruição da pista do Ibirapuera em suas redes sociais, afirmando que a base da pista “não foi construída para suportar eventos de corridas automobilísticas e terá um custo mais elevado para a sua restauração”.

Segundo a Folha de S. Paulo, a Secretaria de Esportes informou que uma reunião entre os organizadores do evento e a comunidade do atletismo acontecerá, nesta quarta-feira (14), para haver um entendimento entre as partes.

A Vejinha entrou em contato com a Ultimate Drift e a Secretaria de Esportes e aguarda retorno.

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